Trabalhar na vinha do Senhor é uma missão sublime, mas quem está no cotidiano paroquial sabe: o maior desafio raramente é a falta de recursos ou a carga de trabalho. Muitas vezes, o que mais esgota os agentes de pastoral são os ruídos de comunicação, as disputas de espaço e as pequenas vaidades que se instalam nas equipes.
Quando nos deparamos com esses entraves, a tentação do mundo é agir com as ferramentas do mundo: o afastamento, a fofoca ou o autoritarismo. No entanto, o portal Onde Dois ou Mais nos convida a dar um passo atrás e olhar para Aquele que nos chamou. Como coordenar e servir superando os conflitos? A resposta está em aprender a liderar como Jesus.
O conflito, por si só, não é um pecado; ele é um reflexo da nossa humanidade plural. Até mesmo os apóstolos, que caminhavam lado a lado com o Salvador, discutiam entre si para saber quem era o maior. Jesus não os demitiu e nem ignorou o problema. Ele usou a fragilidade deles como oportunidade de formação.
A verdadeira liderança pastoral não ignora as crises, mas as atravessa à luz do Evangelho. Em Mateus 18, 15, Jesus nos dá a chave de ouro da convivência comunitária por meio da correção fraterna. Traduzindo para os dias atuais: se o seu irmão errou ou se há um mal-entendido na sua pastoral, a solução nunca será expor o problema no grupo de WhatsApp ou criar um ambiente de murmuração. O mandato de Cristo é claro: vá até ele, em particular, e converse com caridade. Por isso apresentamos 3 passos práticos para resolvermos juntos esse problema.
3 passos práticos para o líder pastoral
Para aplicar a pedagogia de Cristo na rotina da sua paróquia, existem três atitudes essenciais que transformam qualquer ambiente de liderança:
1. Escuta ativa antes do julgamento: Um bom coordenador nunca toma uma decisão ou emite um parecer ouvindo apenas um lado da história. Promover a “cultura do encontro”, tão pedida pelo Papa Francisco, significa sentar-se à mesa com as partes desentendidas, desarmar os corações e ouvir com empatia, buscando compreender as intenções antes de apontar os erros.
2. O “Filtro de São Bento” na comunicação: Antes de repassar qualquer comentário, crítica ou queixa sobre um membro da sua equipe, faça a si mesmo três perguntas fundamentais: É verdade? É bom? É estritamente necessário? Se a informação não passar por esses três filtros, guarde-a em silêncio e transforme-a em oração pela pessoa.
3. Liderança de avental (A espiritualidade do serviço): Liderar na Igreja exige lembrar constantemente que a coordenação não é um cargo de honra, status ou poder, mas um chamado ao lava-pés. O maior no Reino dos Céus é aquele que serve. Quando o líder se reveste do avental da humildade, o autoritarismo cai e a autoridade do amor se estabelece.
Nenhum de nós foi feito para caminhar sozinho. A pastoral é um lindo laboratório de santificação justamente porque nos obriga a conviver com o diferente. Tolerar os defeitos do próximo e ter a humildade de reconhecer os nossos próprios erros é o culto mais agradável que podemos oferecer no altar da vida comunitária.
Que possamos, a cada reunião e a cada evento paroquial, diminuir para que Cristo apareça. O mundo crerá que somos dEle não pelo tamanho das nossas estruturas, mas pela forma como nos amamos e superamos nossas diferenças.
Coordenar ou atuar em uma pastoral é um lindo caminho de santificação através da convivência. Qual é o maior desafio que você enfrenta hoje na rotina de trabalhos e relacionamentos da sua paróquia? Escreva aqui nos comentários para rezarmos juntos pela sua intenção e pela sua equipe!





